Um hábito que adquiri ao longo do tempo foi o de analisar a língua portuguesa e, para minha sorte, uma amiga me acompanhou nessa sina. Refletimos desde a estranheza de suéter até a beleza de amiúde, da força de voraz até a repulsa de mortadela e também sobre a aversão a marimbondo, tanto a palavra quanto o bicho.
Em uma dessas reflexões chegamos ao tema saudades, porém não dissecamos-a como normalmente fazemos, e sim focamos na importância de sua existência. Algumas palavras são inúteis como papisa (quem precisa de um nome feminino para papa quando é necessário ser um homem para se tornar um?), mas a saudade é extremamente importante e parece um absurdo saber que ela só existe na língua portuguesa.
Saudade é uma palavra única para um sentimento singular que não pode ser estritamente luso e fico inconformada de saber que nenhuma outra língua tentou incorporá-la em seu vocabulário. Uma mistura de perda, falta, distância e amor todas fundidas em uma só saudade.
A intensidade presente nela não existe em outras, pode se afirmar que sente falta de alguém mas não é a mesma coisa que dizer que sente saudades dessa pessoa. Num dia chuvoso você sente falta de um guarda-chuva, mas não sente saudades dele.
Terminamos essa análise concordando que saudades é uma palavra impactante. Nos entreolhamos e então percebemos que a palavra impactante merecia uma avaliação e o ciclo continuou.
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