terça-feira, 30 de outubro de 2012

O desespero da gramática

Boa tarde,

Hoje eu vim falar de um tema um tanto, polêmico.
Na verdade nem tanto, mas para uma amante da gramática (a pronuncia não a matéria) sou muito interessada nisso.
As reformas ortográficas.
Como me irrita! vejam bem, se a língua era compreendida perfeitamente antes, porque mudar?
Digam me, o que a trema fez pra ser excluída do nosso mundo?! e o tracinho? coitado, tá no caminho, é tão irrelevante agora que até o nome sumiu da minha mente.
Os novos computadores não devem nem mais ter a opção da trema no número 6 do teclado, mas para internet o tracinho continua ali só porque as pessoas precisam dele pra fazer o 'underline'
tudo bem, que se você pensar um pouco essas mudanças não afetaram nada, MAS JÁ TAVA LÁ, tava bonitinho, deixa os dois pontinho em cima do u, que que custa?
Ainda mais porque ajudava na pronuncia, tipo, antes você sabia que falava 'lingüiça" com o UÍça, e agora tenho a impressão que devo falar como 'Guilherme', desprezando o u, mas não vou sair por aí falando güílherme, ou lingiça.
Mas a pedido da minha professora e um tanto meu próprio, se o 'ç' fosse abolido eu não ficaria tão triste assim, como ela diz:
-Tem o mesmo som de 'ss'! bota tudo com ss!
Resolveria meu problema com os tantos seções da vida, e aparentemente o de muita gente.
Caso você tenha uma opinião diferente sobre isso, sinta-se livre pra comentar aí embaixo, mas, já avisando só faça isso se tiver argumentos pra discutir comigo porque eu sou teimosa feito uma mula. Se você tiver os tais argumentos e conseguir mudar minha opinião, parabéns, merece meu repeito.

Por enquanto é só, vou parar de encher lingüiça, deixar vocês na tranqüilidade, pra vocês não terem mais que agüentar essa seqüência de reclamações.

Cinqüenta beijos pra vocês, tchau.

domingo, 28 de outubro de 2012

O dia em que assustei vendedoras de Sex Shop

Buonanotte lettori

Hoje eu venho trazendo pra vocês uma das minhas peripécias mais estranhas, e a que causou comoção entre as minhas amigas e fez nascer a ideia de criar um blog com nossas histórias.
Esse blog pode ser encontrado se você for um stalker muito dedicado, mas até que eu converse com elas ele não será revelado aqui.
Essa minha proza como vocês conferiram no título foi :

                                                     O dia em que assustei vendedoras de Sex Shop

Deixa eu esclarecer uma coisa, eu tinha lá meus oito, nove anos...ainda era burrinha e ingenua demais.
Uma coisa que eu sempre fazia com a minha família era alugar filme sexta feira só pra ficar com eles até domingo e dar tempo da minha mãe assistir de novo porque ela sempre dorme na primeira vez.
Do lado da locadora ficava uma loja de brinquedos, onde eu sempre ia enquanto meus pais alugavam os dvds porque eles nunca pegavam os que eu queria.

Eu sempre queria assistir Scooby Doo.
Eu ia lá na lojinha e ficava vendo as coisinhas que ficavam lá sem esperança nenhuma de que meu pai fosse lá e me dissesse "escolhe alguma coisa" então eu só ficava olhando mesmo.
Um dia aquela lojinha de merda resolveu ficar boa de repente, foi na época que lançaram o filmes Barbie e as Doze Princesas Bailarinas, e com o filme lançaram doze bonecas que mais tarde quatro delas estariam na minha coleção.
Ir todo sábado naquela mesma locadora não me entediava porque as mocinhas que trabalham lá na loja de brinquedos ficavam mudando as coisas de lugar toda hora então nunca tinha coisa nova mas você ficava olhando tudo denovo porque não estava no mesmo lugar.
Inteligente.
Pois bem, quando lançaram aquelas barbies minha irmã e eu as queríamos desesperadamente.Eu por exemplo queria umas barbies adolescentes porque eu não tinha barbies adolescentes e até ver o filme não sabia da existência...mas eu queria, muito.
Burrice de minha parte porque o cabelo daquelas criaturas era duro pra caralho e as roupas das barbies normais não cabiam nelas, logo minhas barbies adolescentes usavam apenas o "tutu" que veio nelas.
Avançando um tempo na história eu fui para a cidade onde meus avós moram pra ficar nas férias, nesse meio tempo a loja de brinquedos fechou e deu origem a uma sex shop.
Nem eu e nem meus pais sabíamos disso, portanto foi normal quando na primeira semana do fim das férias em que fomos alugar filme todos foram para locadora, menos eu, que acidentalmente entrei na sex shop.
Fazia tempo que eu não ia lá, e tinha certeza que haveriam muitas coisas novas lá, portanto quando eu entrei e não reconheci nenhum brinquedo que já tivesse visto na vida naquela loja não me assustei.
O problema é que eu não sabia o que eram os brinquedos, e as vendedoras não me viram entrar então fiquei lá olhando e olhando tudo que se era vendido naquele lugar.
Foi então que eu misticamente peguei algo que fez um barulho, a vendedora foi ver quem era e encontrou uma menininha de oito/nove anos mexendo em artefatos proibidos até para menores de dezoito.
Sem saber o que fazer a mulher tirou o tal, naquele tempo (que eu estive na loja) "brinquedo" de minhas mãos e começou a atirar perguntas em mim
-Onde estão seus pais?
-Onde você mora?
-Você veio sozinha?
-Como chegou aqui?
-Você sabe o que era aquilo que estava em suas mãos?
Eu que já tinha o maior medo de adultos fiquei paralisada, a cada pergunta que ela fazia eu olhava pro chão, depois pra ela e quase chorava.
Foi ai quando minha mãe saiu da locadora e foi me pegar na loja que viu o que aconteceu, Heloisa estava um tanto feliz, por ter saído de lá e um tanto triste porque mais tarde seus pais fariam um interrogatório e me puniriam por algo que nem eu sabia que tinha feito.

Queridos leitores, peço-lhes que assimilem bem o que leram e tentem imaginar o que foi eu lá naquele tipo de loja com aquela idade, agora uma simples pergunta:
Quem se assustou mais, eu ou as mocinhas que trabalhavam lá?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A chave da ironia

Boa tarde caros amigos.

Uma coisa sobre mim que vocês devem saber para que o texto que se segue tenha sentido, eu sou extremamente desastrada e consigo me colocar em situações embaraçosas com tanta facilidade quanto caio por aí.
A uns dias atrás consegui uma proeza um tanto difícil, e espero não consegui-la novamente.
Estava eu, voltando da escola ,onde tinha feito uma prova que fez com que saísse fumaça da minha cabeça de tanto pensar, quando chego em casa.
Coloco a chave na fechadura do portão e abro, como de costume, antes de abrir o portão completamente eu tentei tirar a chave.
Sim, eu tentei, porque ela não quis sair de jeito algum.
Numa ultima tentativa frustrada eu puxei com força, a chave ficou e eu fui. A gravidade não tava lá a meu favor, logo fui jogada no chão sem dó nem piedade.
O pior é que tem um degrau da calçada normal ao meu portão, então eu caí em parte no degrau e em parte na calçada.
Admirando minha idiotice deitei na calçada e fechei os olhos, e como quando coisas assim acontecem comigo, eu ri. Da minha própria imbecilidade.
Pra minha surpresa quando eu abri os olhos tinha alguém me olhando. Por pouco quando eu caí eu não fui pra cima do cara, aí ele ficou lá encarando a menina que tava deitada na calçada.
Para completar minha cara de surpresa e ter uma ironia no fim deste texto quando eu levantei meus olhos eu vi

Meu portão lá aberto.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O ataque das baratas mortas

Olá caros leitores.

Eu não sei se vocês já tiveram a experiência horripilantemente traumática que é encontrar três baratas em menos de cinco minutos.
Eu acabei de experimentar hoje essa minha teoria, e como eu falei ali em cima, é horripilantemente traumática.
Devido ao meu histórico com baratas (preciso compartilhar isso com vocês qualquer dia) eu deveria estar preparada pra isso, mas eu fui pega de surpresa.
Estava eu indo guardar as coisas que lavei após fazer pipoca, eis que me deparo com algo. Algo pequeno, marrom e nojento.
Preciso dizer que a panela em minhas mãos tirou propulsão do oxigênio e se atirou pra cima? Creio que não mas foi exatamente o que aconteceu. Ao cair, o baque me fez desviar o olhar do pequeno inseto dentro do armário, mas por pouco tempo, pois todo mundo sabe o desespero que é perder uma barata de vista.
Para minha sorte, o bicho não se moveu um centímetro, mas sim, caros leitores, eu ainda estava desesperada com adrenalina correndo no meu corpo como se disputasse uma São Silvestre.
Contive o grito, já que o bicho tava morto pelo menos, mas fui em direção ao quarto designado aos meus pais e encontrei minha progenitora deitada assistindo, nada mais nada menos, que novela.
A alertei sobre o perigo das baratas mortas no armário de panelas e ela com toda a elegância e bondade materna que sempre cuida de seus filhos nessas situações necessárias de super proteção me respondeu:
- Se vira.
Eu, como uma pessoa de opinião que não sucumbe a nada fiz o que cada um faria nessas situações
...
Quem pensou aí que eu implorei, acertou.
Relutante ela foi lá, olhou pra barata, tirou algumas panelas da frente e pegou o pano que forrava o armário, levando consigo a barata.
Porém, quando ela levantou o pano algo voou
SIM, VOOU.
Uma SEGUNDA barata estava presa no pano, mas quando minha mãe o levantou a barata foi lançada.
Aí sim, eu me desesperei, o bicho passou reto, um tanto longe de mim, mas o desespero aumentou.
A adrenalina se transformou num corredor Queniano que parecia correr pela própria vida, aí sim, eu gritei.
Minha mãe se assustou com meu grito e derrubou o pano, lançando ao chão, a outra barata (morta) que estava neste.
A barata nº2 não havia se mexido desde que fora lançada, logo descobrimos que esta também estava morta.
Minha mãe, inconformada pelo alvoroço que eu tava fazendo pelas baratas mortas pegou uma pá, uma vassoura e tirou as duas de lá, com uma cara carrancuda, estava perdendo a novela.
Mas ela tirou sei de lá onde, uma ideia de vasculhar o armário em busca de outras possíveis baratas, mais tarde eu descobriria que essa ideia foi muito boa.
Logo na primeira panela que ela tirou eu vi, aquele mesmo bichinho virado de costas com as patinhas para o ar, DENTRO DA PANELA! Adrenalina corria em minhas veias como um carro de formula 1
 Minha mãe continuou tirando as panelas, não tinha visto o bicho lá. Depois do meu grito e eu apontar pra panela ela raciocinou um pouco e viu a baratinha.
Se livrou dela com o mesmo cuidado e precaução das outras, a jogando de qualquer jeito no lixo.
Como eu fui a descobridora das baratas e tanta adrenalina passou pelo meu corpo me foi dito que eu deveria me acalmar, e como diria minha mãe:
- Que jeito melhor de acalmar que lavar a louça?
Após tudo isso eu ainda tive que lavar toda a louça que jazia na pia.. incluindo uma panela, que veio com um brinde.
Uma patinha de barata.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Solidão

Eu gostaria de compartilhar com vocês um conto de um autor que admiro muito, Luís Fernando Veríssimo. Caros leitores, eu quando ouvi esse conto pela primeira vez ri e depois lembrava e sorria. Forcei minha amiga a me emprestar o livro contendo o conto e não me arrependo de te-lo feito.
O livro se chama Em Algum Lugar Do Paraíso, e o conto vocês conferem a seguir:

                                                                    Solidão      
 Finalmente liberadas as gravações que a NASA fez das experiências realizadas com
o tenente da Marinha John Smith para testar o comportamento humano em condições de completo isolamento durante longos períodos de tempo, iguais ao que o homem terá que enfrentar na exploração do espaço.
 O tenente Smith foi escolhido pelas suas perfeitas condições físicas e mentais. Foi colocado dentro de um simulador de vôo com comida bastante para dois anos e os instrumentos que normalmente levaria numa missão, inclusive um computador. 
Todos os dias Smith teria quefazer um relatório verbal para que seu estado fosse avaliado. O que segue são trechos das gravações feitas dos seus relatórios.

Primeiro dia. “Meu nome é John Smith. Estou ótimo. Passei todo o dia me familiarizando com este meu pequeno lar. Já desafiei o computador para uma partida de xadrez. Acho que nos daremos muito bem. (Risadas.) Só tenho uma queixa: esta comida em bisnagas não se parece nada com a comida de mamãe...(Risadas.) Dois mais dois são quatro. Encerro”.

Uma semana depois. “John Smith aqui. Continuo muito bem. Ainda não consegui vencer nenhuma partida de xadrez deste computador. Acho que ele está trapaceando. (Risadas.) Três vezes três é nove. Encerro”.

Um mês depois. “(Risadas.) Meu nome é John maldito Smith. Tudo bem. Um pouco entediado, mas tudo bem. Consegui finalmente ganhar uma do computador, embora ele negue. Vou ter que derrotá-lo de novo para convencer este cretino. Calculei mal e já comi todas as bisnagas de torta de maçã. Agora só tem maldito limão.Dois vezes três são, deixa ver. Seis. Quer dizer... Não. Está certo. Seis.Encerro”.

Dois meses depois. “Vocês sabem quem eu sou. John qualquer coisa. Não aguento mais a arrogância deste computador. Ele não é humano! Insiste que me deu xeque-mates inexistentes e se recusa a admitir que está errado. Tivemos umabriga feia hoje. Dois mais dois são... sei lá. Encerro”

Quatro meses. “Alô. Tenho provas irrefutáveis de que o computador está tentando boicotar esta missão! Ouvi claramente ele dizer alguma coisa desagradável sobre mamãe. Canta Strangers in the Night em falsete e não me deixa dormir. Não me responsabilizo pelo que possa acontecer. Estou muito bem, lúcido e bem disposto.Com licença que estão batendo na porta”.

Sexto mês. “Meu nome é Smith. Maggie Smith. Por hoje é só”.

Oitavo mês. “(Risadas)”

Nono mês. “Smith aqui. Aconteceu o inevitável. Matei o computador. Estávamos comum problema, onde colocar as bisnagas vazias, e ele fez uma sugestão deselegante. Agora está morto. Não tenho remorsos. Ontem recebi a visita de umvendedor de enciclopédias. Não sei como ele conseguiu entrar aqui. Dois mais dois geralmente é nove. Encerro”.

Décimo mês. “Meu nome é Brown ou Taylor. Um mais um é umum. Dois mais dois, não.Iniciei um projeto importantíssimo. Com as bisnagas vazias e partes do computador, estou construindo uma mulher”.

Um ano. “Redford aqui. Sinto falta de um espelho para poder ver a minha barba,que está bem comprida. A mulher que fiz de bisnagas vazias e partes do falecido computador ficou ótima mas, infelizmente, nossos gênios não combinavam. Ela foi para casa de seus pais. Dois mais dois...”

Décimo-quarto mês. “Minha barba está tentando boicotar a missão! Faz um estranho barulho eletrônico e várias vezes já tentou me estrangular. Deve ser comunista.Começaram a chegar as enciclopédias que comprei. Tenho jogado xadrez comigo mesmo e ganho sempre”.

Décimo-quinto mês. “Aqui fala Zaratustra. Atenção. Encontrei pegadas humanas dentro da cabine. Estou investigando. Mandarei um relatório depois. Duas vezes três é demais. Encerro”.

No dia seguinte. “Grande notícia. Há outro ser humano dentro da cabine! Seu nome é Smith, John Smith, mas como o encontrei numa terça-feira o chamarei de“Quinta”. Ele não fala, mas joga xadrez como um mestre. (Risadas). Talvez tenha que matá-lo”.

Neste ponto, os cientistas da NASA acharam melhor abrir a cápsula. Encontraram Smith com as mãos em volta do próprio pescoço gritando: “Trapaceiro!Trapaceiro!”