domingo, 23 de setembro de 2012

A Farsa da Vida. Capítulo 1 - O despertar


                                                                      

Ela acordou aquela manhã com uma dor de cabeça terrivel. Planejava não sair de casa por nada naquele mundo, abrir os olhos já custava energia que ela não tinha. Mas ao fazer isso pela primeira vez teve que cancelar os planos de ficar na cama o dia todo e simplesmente gritar para a empregada a levar comida e aspirina.
A lampada não estava no lugar correto, tampouco o criado mudo. As paredes tinham a coloração errada e o colchão parecia mais duro que o normal.
Forçou o cérebro um pouco mais e percebeu que tudo no lugar estava exatamente onde deveria, menos ela. Aquela não era sua lâmpada, nem seu criado mudo, nem suas paredes e nem seu colchão. Muito menos seu quarto.
Tentou sentar-se mas a dor latejava e doia a cada músculo que forçava. Limitou-se a mover a cabeça para a direita, podendo assim ver um guarda roupa, uma janela e um corpo ao seu lado dormindo em sono profundo.
'Ó céus' pensou ela ao ver o homem que dormira com as costas descobertas deitado de bruços ao seu lado.Essa adrenalina deu a ela forças para levantar-se num pulo e espantada olhar para onde se encontrava, mas logo arrependeu-se pois uma tontura a invadiu com tanta força que seus membros falharam e ela apoiou-se no criado mudo para se equilibrar.
Para sua infelicidade, ao se apoiar no criado mudo derrubou algumas coisas que ali em cima jaziam, fazendo assim, barulho suficiente para sua cabeça latejar novamente e acordar o ser que ainda na cama dormia tranquilo.
Ele abriu os olhos lentamente, com tanta dificuldade quanto ela o fez alguns minutos atrás. Forçou sua vista e percebeu uma mulher, o encarando assustada.
'Uma mulher?' Gritou ele em pensamento arregalando os olhos, a mulher a seu lado reprimiu um grito. Vasculhou em todas as memórias quem era ela, e por Deus, onde estava. Se perguntava se o quarto não era da mulher, tentou falar mas mover sua boca parecia ser uma atividade que requeresse muito esforço.
Ambos confusos com as mesmas perguntas prontas, mas nada saia por seus lábios.
A mulher ainda pendia apoiada no criado mudo e como se soubesse que deveria fazer isso mesmo com todas as dores lhe dizendo que não, ele foi se arrastando pela cama até chegar perto dela e a pegou no colo a colocando deitada exatamente onde dormiram juntos. Ela não fez nenhuma objeção, apenas colocou seus braços ao redor do pescoço dele enquanto ele a levantava. Ao contrario de suas outras ações essa não forçou músculos nem lhe causou dor. Simplesmente parecia certa.