quarta-feira, 23 de outubro de 2013

    Um hábito que adquiri ao longo do tempo foi o de analisar a língua portuguesa e, para minha sorte, uma amiga me acompanhou nessa sina. Refletimos desde a estranheza de suéter até a beleza de amiúde, da força de voraz até a repulsa de mortadela e também sobre a aversão a marimbondo, tanto a palavra quanto o bicho.
    Em uma dessas reflexões chegamos ao tema saudades, porém não dissecamos-a como normalmente fazemos, e sim focamos na importância de sua existência. Algumas palavras são inúteis como papisa (quem precisa de um nome feminino para papa quando é necessário ser um homem para se tornar um?), mas a saudade é extremamente importante e parece um absurdo saber que ela só existe na língua portuguesa.
    Saudade é uma palavra única para um sentimento singular que não pode ser estritamente luso e fico inconformada de saber que nenhuma outra língua tentou incorporá-la em seu vocabulário. Uma mistura de perda, falta, distância e amor todas fundidas em uma só saudade.
    A intensidade presente nela não existe em outras, pode se afirmar que sente falta de alguém mas não é a mesma coisa que dizer que sente saudades dessa pessoa. Num dia chuvoso você sente falta de um guarda-chuva, mas não sente saudades dele.
    Terminamos essa análise concordando que saudades é uma palavra impactante. Nos entreolhamos e então percebemos que a palavra impactante merecia uma avaliação e o ciclo continuou.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pois bem, tenho uma tarefa de redação. Não é uma lição qualquer porque eu gostei da proposta, e a tal merece um nível de comprometimento maior que o das outras. Então aqui vai a primeira tentativa dela:


Inacreditavelmente acordei naquele domingo com o pique pra começar os exercícios prometidos no mês passado e isso é um evento tão raro que a dona Dirce da casa ao lado sempre tira as roupas do varal quando eu saio com roupas de ginástica. Para entrar no clima preparei uma vitamina ao som de uma rádio agitada e quando terminei fui para a sala dar um tempinho, só iria a academia dali duas horas.
Estava quase dormindo assistindo um programa qualquer na tv quando o carteiro chegou e dentre as várias contas estava um envelope estranho, daqueles ecologicamente corretos e tudo mais. Resolvi o abrir primeiro e descobri que a floricultura da esquina estava fazendo uma promoção para o dia do jardineiro, comprando qualquer produto acima de 40 reais você ganhava uma muda de begônia, que tinha dois olhos brilhantes e um sorriso enorme no desenho feito a mão no papel reciclável. Só pensar que alguém manualmente tantas begônias para entregar suponho que pra muita gente, já que só comprei uma plantinha de plástico para minha mãe a uns dois anos atrás e lembraram de mim, me deixou tão cansada que quase desisti da corrida.
Saí de casa com o pretexto de chegar até a academia, que é umas 15 quadras de casa, correndo e até a rua do parque isso foi possível, mas havia muita gente no Trianon aquele dia e correr estava ficando cada vez mais difícil vendo que quanto mais perto da entrada eu chegava maior era a concentração de pessoas. Parei um pouco para recuperar o fôlego e ao apoiar as mãos nos joelhos vi o porque do tumulto: uma mulher vestindo algo que parecia um vestido ao mesmo tempo que não era, andando num triciclo.
Cansada e estupefata, fui incapaz de me mover e só saí do caminho quando algumas das pessoas que estavam lá começaram a tocar um ritmo estranho e um homem me puxou dizendo "é por aí que a noiva passa, sai daí!"

Por enquanto só escrevi até aí e acho que vou mudar de ideia e refazer a tal redação. É personagem sedentária, sua vida acaba aqui.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Desespero de quarta-feira

Eu não posso ter sido a primeira pessoa a amar e odiar algo ao mesmo tempo. E por favor, se eu for, mintam para que eu não me sinta tão estranha.
Hoje é uma simples quarta-feira na pacata vidinha que eu vivo na megalópole (alerta de enorme quantidade de ironia na palavra) onde moro. O problema das quartas-feiras é que nelas mora o perigo e o amor. Porque é nelas em que eu tenho minhas aulas de redação.
Minha professora é simplesmente um gênio, portanto bate um desespero na hora de escrever porque a seguinte frase não sai da cabeça: O que ela vai achar disse texto?
E por ela ser um gênio, que eu completamente admiro (ela não sabe que eu tenho um blog, logo não estou a bajulando por nota) me importo com a opinião dela. E é por isso que eu tenho pavor de entregar meus trabalhos e, consequentemente, pavor das quartas-feiras.
Hoje ela nos mostrou desde textos extremamente ruins até os tão bons que dá vontade de abraçar quem escreveu, e enquanto mostrava a ralé ria de gosto ao ver erros e nos mostrar os absurdos. Digamos que isso contribuiu muito pra que meu medo crescesse e que eu precisasse desabafar sobre o assunto num blog desconhecido.

Não é uma historinha de humor, nem uma triste, mas sim um desafogo de algo completamente desnecessário mas que me acompanha por onde eu vou.
Vou publicar logo isso antes que eu comece a reler o que escrevi e decida colocar nos rascunhos juntos com os outros mil e um textos que eu não publico com medo de algum dia ela descobrir que tenho um blog.
                                                    É, a vida não tá fácil pra ninguém.