segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Meu caro amigo me perdoe, por favor

"Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita"

Eu não costumo escrever sem ter certeza que alguém lerá, portanto a letra do Chico logo acima serve para que pelo menos em minha louca imaginação, tenha alguém lendo isso. 
Meu caro amigo,
Já faz algum tempo desde que resolvi escrever algo por aqui, mas daqui a alguns dias eu embarcarei em um voo pro exterior.
Como já disse algum gênio da Perdigão, vou abrir meu coração pra você. Eu nunca andei de avião na vida. Eu nunca sai do Brasil. E eu nunca, imaginei que quando saísse seriam em tais condições.
Até umas semanas atrás, as condições a que me referi eram as melhores:
Tinham conseguido uma casa linda e barata pra ficarmos
Iríamos todos para Espanha
Poderíamos ver o que quiséssemos

E então, recebemos uma notícia, uma notícia que fez com que minha mãe quisesse adiantar a viagem.
Não sei se são apenas meus pais que são assim, mas sempre eu sou a última a saber do que está se passando. Eu não fazia ideia que minha mãe estava tentando trocar os dias do voo, que meu irmão havia se machucado jogando vôlei e muito menos que tinha sido sério o bastante pra ele ir para uma cirurgia no dia seguinte.
E essas são as circunstâncias atuais:
Não temos mais a casa linda
Meu irmão não vai mais conosco
Poderemos admirar bastante o interior do hospital, caso as coisas não melhorem.

A situação em casa está um caos, e pra compensar a preocupação que minha mãe tem com meu irmão, ela está teimando com toda e qualquer coisa que eu faça ou não faça.
Obviamente eu não quero culpar meu irmão por isso, e me senti horrível por tê-lo feito outro dia. "Afinal, se ele não tivesse machucado a perna não teríamos nenhum desses problemas" E eu fiquei brava, brava comigo e com ele. 
Com ele por ser o culpado (pelo menos em minha mente) e comigo, por culpá-lo sendo que ele era apenas mais uma vítima, e uma mais afetada que eu ainda.
Egoísta como sou, ao saber das notícias fui ao meu colégio, tanto porque daqui a pouco teria aulas, tanto pra fugir um pouco do clima em casa. Não que eu seja de todo transparente, mas sempre que eu chego com algum problema na escola, uma amiga repara.
Eu choro por razões várias, como filmes melosos, dor e a mais comum, raiva. Naquele dia, no banheiro da escola mesmo, eu descarreguei muito que estava preso.
Enquanto as lágrimas escorriam, ela me consolava. E a cada palavra, uma lágrima. Cada lágrima, um peso descarregado. Era incrível, como uma coisa tão leve pode pesar tanto na alma de alguém.

Eu agradeço imensamente a essa amiga, já disse obrigada tantas vezes que se tivesse palavras esgotadas não poderia agradecer a mais ninguém. Eu devo desculpas a meu irmão, por tê-lo culpado injustamente, mesmo que ele não o saiba. Eu preciso de paciência para lidar com minha mãe, afinal, o filho dela acabou de passar por uma cirurgia e não está lá no melhor dos estados.

Desse modo, eu lhe pergunto, caro amigo:
Eu fiz alguma coisa certa essa semana?